
A CASACOR Brasil é, ano após ano, um grande laboratório de ideias. Tendências, materiais, cores, narrativas e novas formas de habitar se encontram em ambientes que despertam inspiração imediata. Para arquitetos, designers e marcas, a visita quase sempre termina da mesma forma: fotos no celular, referências fervilhando e a sensação de “quero levar isso para os meus projetos”.
Mas surge a pergunta essencial: como absorver essas referências sem cair na cópia e sem diluir a própria identidade criativa?

O primeiro ponto é entender o papel da CASACOR. Ela não deve ser encarada como um manual a ser reproduzido, mas como um campo de repertório. Os ambientes apresentados ali respondem a um contexto específico: um espaço temporário, um conceito autoral e uma narrativa pensada para provocar impacto imediato.
Levar uma referência para o dia a dia do projeto exige filtragem. O que funciona como linguagem conceitual pode não funcionar como solução prática — e tudo bem. O valor está em compreender o porquê das escolhas, não apenas o que foi escolhido.
Toda marca ou profissional com posicionamento sólido já tem uma identidade construída: proporções preferidas, paleta recorrente, sensibilidade estética, forma de contar histórias através do espaço. É isso que deve funcionar como filtro.
Antes de incorporar uma referência da CASACOR, vale se perguntar:
Quando a identidade está clara, a tendência deixa de ser um risco e passa a ser uma ferramenta.
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O erro mais comum após grandes mostras é a reprodução literal: repetir layouts, cores ou combinações exatamente como foram vistas. O caminho mais inteligente é a tradução.
Talvez o que chamou atenção não tenha sido a cor, mas o contraste. Não o móvel em si, mas a proporção. Não o ambiente inteiro, mas a sensação que ele provoca. Ao traduzir o conceito — e não a forma — o projeto ganha autenticidade.
Outro ponto-chave é o equilíbrio. Uma boa referência não precisa dominar o projeto. Ela pode aparecer como uma camada sutil: um detalhe, uma escolha pontual, um gesto de design que dialoga com o todo.
Projetos autorais raramente gritam tendências. Eles sussurram repertório.
Mais do que inspiração estética, a CASACOR ensina algo essencial: curadoria. Cada ambiente é resultado de escolhas conscientes, exclusões e coerência narrativa. Esse olhar curatorial é o que deve ser levado para fora da mostra.
Usar referências sem perder identidade é, no fim, um exercício de maturidade criativa. É saber admirar, absorver e transformar — sem abrir mão da própria assinatura.
A CASACOR Brasil não pede cópia. Ela convida à reflexão, ao refinamento do olhar e ao fortalecimento da identidade. Quando o profissional entende quem é, de onde vem e o que quer comunicar, toda referência deixa de ser ameaça e passa a ser combustível criativo.